É possível encontrar a felicidade no trabalho?

“Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida”. Já dizia o pensador e filósofo chinês Confúcio lá atrás, no período a.C. (antes de Cristo), que o primeiro passo para ser feliz trabalhando é conseguir trabalhar com algo que goste. Sabemos que ao longo da vida, diversos obstáculos aparecerão para quem deseja ingressar na área que ama ou até mesmo para quem já atua na área, mas está perdendo o ânimo e se questionando se realmente ama aquilo. É impossível trabalhar com algo sem ter um mínimo estresse ao longo de toda a carreira, mas como lidar quando se está tendo demasiados problemas? Como melhorar o ambiente de trabalho? De que forma lidar com aquele colega com quem você não desenvolve afinidade alguma?

Sobre o ambiente de trabalho

Chão sujo, casa suja; chão limpo, casa limpa. Você já deve ter falado e ouvido isso em forma de trava língua, mas até que ponto isso se aplica em nossas vidas pessoais e profissionais? Um chão sujo dá uma aparência de suja à toda a casa, então nada melhor do que deixá-lo limpo. Na relação do trabalho, é a mesma lógica. Para um trabalho, equivalente à casa, fazer sentido e ser gostoso de exercer, é necessário que o ambiente seja positivo, trazendo a mesma sensação de limpeza de um chão limpo.

Não adianta insistir, um ambiente de trabalho tóxico, com relações ruins, elos fracos e má organização não traz satisfação ao colaborador. Uma relação abusiva de chefe com funcionários ou mesmo entre os próprios colegas, especialmente aqueles que travam certas disputas internas, não melhora desempenho de empresa alguma.

Com isso, é necessário parar e refletir se o estresse passado no local de trabalho é normal ou é demasiado. No segundo caso, é importante falar com alguém: seja o chefe, outros colaboradores ou até mesmo com um psicólogo para desenvolver estratégias para lidar com os problemas e passar a solucioná-los. Com uma boa conversa, tudo pode ser resolvido. Um ambiente bom de trabalho é fácil de ser notado pelo entrosamento entre os colegas, a relação não de superior e inferior entre chefe e colaborador, mas de parceiros na produção que naquele local é realizada. É como um relacionamento abusivo: você talvez só tenha ideia de quanto aquele namoro era ruim, quando entrar em outro e ver que é possível e correto ter algo leve e positivo, que deixe todas as partes felizes.

Se a conversa não funcionar e for possível arrumar emprego em outro local, pode ser hora de considerar essa opção. Pensando em saúde mental, talvez até mesmo ficar desempregado, caso não tenha outro local para trabalhar no momento, seja uma melhor opção do que insistir em um ambiente ruim. Segundo pesquisa do International Journal of Epidemiology, o desemprego pode ser uma opção preferível a trabalhar em um local que gere extremo estresse. Segundo o estudo, que monitorou indicadores de saúde de pessoas desempregadas e empregadas, os níveis mais altos de inflamação e os menores de depuração da proteína C eram das pessoas que trabalhavam em empregos considerados de má qualidade. Com o tempo, isso pode causar uma doença e todo o trabalho poderá ser em vão.

Sobre as relações com os colegas

Sempre haverá rusgas. Afinal, somos todos seres humanos e se em alguns momentos não nos entendemos até com quem mais amamos, imagine com quem não temos tanta proximidade e afinidade. Porém, assim como na parte que falamos sobre o ambiente de trabalho, existe o desentendimento em níveis normais para seres humanos e em nível demasiado, que prejudica o rendimento de todos ao redor, tira o foco e o prazer em trabalhar.

Como em todo ambiente desde a escola, temos mais afinidade com alguns, menos com outros e até mesmo rivalidade com alguém. É normal, não tem maneira de passar pela vida na terra sem criar inimizades ou passar por momentos de divergências de opinião, além de conhecer pessoas simplesmente desagradáveis.

Porém, com algumas outras pessoas – no caso, as que temos menos afinidade –, nem tudo está perdido. É possível se aproximar das pessoas e com isso, desenvolver um trabalho ainda melhor e mais prazeroso. Claro, como dito, somos seres humanos. Sendo assim, todos têm suas diferenças e peculiaridades. Alguns levam mais tempo para estabelecer laços, enquanto outros no primeiro dia já estão saindo no pós-expediente para o happy hour. O essencial, como em toda relação, é entender o tempo de cada pessoa e tentar, a partir daí, criar um laço, sendo sempre gentil e simpático, mas claro, sem esquecer que está no local para trabalhar e não fazer amizades. Se for de interesse maior para empresa, não deixe de discordar de algo por receio de ser deixado de lado.

É claro, também não coloque a culpa de seus erros nos outros, jamais.

Sobre estar na área certa

Não é tão simples. Afinal, passamos pela pressão de estarmos ou não na área profissional correta constantemente desde a adolescência, quando muitos escolhem que caminho tomarão. A base de tudo está na escolha. Não há forma de forçar uma felicidade, mesmo que o ambiente seja bom, fazendo algo que não gosta e não está de acordo. Estar alinhado com as diretrizes da profissão e o pensamento da empresa são as portas que se abrem inicialmente no caminho do corredor para a felicidade. Mas como descobrir, ao menos, que atuo na área errada?

Atente-se aos sinais. Existem diversas formas de saber que aquele trabalho não é o que você deseja. Se esforçar mais do que o normal pode ser um indicativo. De acordo com o profissional de recursos humanos e especialista em carreiras, Louis Efron, em entrevista para a revista Forbes: “Funcionários bem-sucedidos trabalhavam com os seus pontos fortes, o que era natural para eles. Mas os outros empregados precisavam de muito mais esforço e energia para chegar lá”.

Além disso, preste atenção aos sinais emocionais. Ter dias ruins no trabalho é comum, não pense que por causa de um dia, dois dias ou até mesmo uma semana conturbada, seu trabalho é o errado. Mas ter a tristeza e a infelicidade com o expediente como regra é preocupante. Se você fica mais triste do que feliz, talvez seja hora de repensar o futuro.

Pensar constantemente em desculpas para faltar ao trabalho é outra amostra de que algo está errado. Se acordar todas as manhãs é uma luta e você pensa seriamente em faltar e até mesmo pedir demissão, talvez você devesse, de fato, deixar este trabalho. Outro ponto que precisa ser pensado é se você tem vergonha do que faz. Se em uma conversa entre amigos, todos falam com orgulho de suas ocupações e você busca formas de não falar abertamente sobre o que faz, pode ser hora mudar de área e de ares.

São diversos os sinais que demonstram que você está na empresa e na área de trabalho erradas. Desde a falta de preocupação com os resultados que demonstra no trabalho, até pensar em desculpas para faltar todas as manhãs, os indicativos podem estar aí e você nem percebeu. É claro que existem problemas no trabalho, isso é praticamente garantido, até porque você é contratado justamente para solucionar problemas e permitir que a empresa evolua. Mas não deixe que os problemas sejam regra. Se forem, é hora de mudar.

Sobre ser parte do processo

Uma ótima maneira de ser feliz no trabalho é sendo parte dele e conseguindo observar de que maneira seu empenho virou resultado. Isso também serve – e muito – para o gestor de pessoas. É imprescindível valorizar os colaboradores e mostrar constantemente a eles que são parte do processo. Afinal, sem os colaboradores, nada aconteceria, por mais que tudo pareça automatizado. Um funcionário de uma grande empresa pode se sentir ínfimo e desimportante, até mesmo insignificante e irrelevante no serviço que presta à corporação. Por isso, é importante que ele entenda seu papel.

Para que isso seja possível, o gestor e os demais colaboradores precisam ser claros e sinceros uns com os outros, sem meias palavras. Sabendo o que fazem e a importância que têm, os trabalhadores irão sentir uma maior valorização de seus trabalhos e, desta maneira, irão abraçar a causa da empresa e se emprenharão mais e mais. Se dói no bolso de quem investe seu próprio dinheiro, precisa doer igualmente no do colaborador. Mas isso só é conquistado com estes métodos de valorização.

Não estamos mais na era do fordismo. O funcionário precisa saber no que está trabalhando, qual será o produto final e principalmente, qual foi sua contribuição para que aquilo se tornasse justamente aquilo que foi feito com o esforço coletivo. Mesmo que seja uma tarefa tida como pequena, a felicidade poderá vir com o reconhecimento e a valorização, que também pode e deve ser demonstrada com oportunidades e no âmbito financeiro. Se você sente que merece crescer na empresa, receber uma promoção ou que seu trabalho vale mais dinheiro do que te pagam naquele emprego e naquela área, é hora de sentar à mesa e conversar.

Sobre ser feliz no trabalho

Não tenha medo das mudanças e não tema perguntar. Você é importante no processo e precisa saber disso. O medo do novo e do desconhecido só coloca travas nas pessoas, e o ser humano é capaz de demasiadas coisas para ficar travado e infeliz em um só lugar. Antes da agricultura, éramos nômades, então este espírito de mudar de lugar e se adaptar está vivo em todos nós, mesmo que escondido.

Se não deu certo ali, parta para outra, não tenha medo do escuro. A chance de dar errado é de 0% até de fato dar errado, quando irá se tornar de 100%. Ou seja, não adianta querer antever, as probabilidades existem, mas elas podem ser quebradas. A maior qualidade dos seres humanos é a adaptação, então busque mais e corra atrás da felicidade, porque a vida é muito curta para se prender a um trabalho em que se é infeliz. É difícil acreditar que é capaz quando suas habilidades são constantemente subestimadas e subvalorizadas, mas cabe a nós mesmos entendermos do que somos capazes, o que conquistamos e como podemos melhorar. A felicidade no trabalho existe, basta procurá-la. Desde a relação com os colegas, até estar alinhado com as ideias e opiniões da empresa, a alegria de trabalhar vem de uma série de passos, mas é algo que todos que batalham merecem. Saia da zona de conforto e busque alternativas, talvez fazer uma graduação ou uma pós-graduação seja o primeiro passo. Mudar de ares, mudar de área, trocar até mesmo de cidade ou país. O mundo é muito grande para você ficar preso e infeliz em um lugar e uma profissão.

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